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07.01.2015 | Mito Grego: Dédalo & Ícaro

MITO GRAGO DEDALO E ICARO

O SONHO HUMANO E A VAIDADE

Os mitos de Dédalo e Ícaro inspiram obras artísticas ao longo dos anos, assim como acalentaram o sonho do homem de um dia poder voar, conduziram os homens aos voos infinito de um céu conquistado, o mesmo céu que deslumbrou o sonhador Ícaro.

Pai (Dédalo) e filho (Ícaro) representam as limitações do ser humano, apesar da criatividade. Enquanto jovens, temos grandes sonhos e projetos em mente, buscamos realizar algo sagrado que alimenta a liberdade de nossa alma. Tentamos superar todos os obstáculos, mas quando perdemos o bom senso e somos imprudentes em nossas ações, podemos alterar todo o curso de nossas vidas.

Assim como Dédalo, podemos ter talentos excepcionais, mas nossa vaidade pode traçar caminhos diferentes. O ego inflamado de Dédalo aprisionou sua arte e seu espírito criativo, tornando-o escravo das paixões alheias, construindo sonhos que não eram os seus. Assim como Dédalo, também nós podemos aplicar nossos talentos numa carreira de sucesso conseguindo reconhecimento e aplausos, mas estivermos distantes de nossos sonhos e projetos de vida, tendo limitada a nossa criatividade, estaremos construindo um labirinto para nossa própria alma.

Quando permanecemos em uma situação que não atende os apelos de nossa alma, nos tornamos prisioneiros. E como Dédalo, podemos nos libertar de situações opressoras e seguir nossos sonhos, mas é necessário reconhecer os limites para sonhar. Dédalo se libertou pela arte com sua criatividade, ciente de que a arte é compulsiva e latente à essência do seu criador, sua mais ousada criação lhe permitiu a liberdade e o sonho de voar.

Se Dédalo é a mente criativa, Ícaro é a liberdade sonhadora, o homem asfixiado nas limitações da liberdade saciada.

Ao se ver livre voando como um pássaro, percorrendo um espaço ilimitado, Ícaro alcançou patamares mais altos, rumo aos seus ideais, rompendo os limites, ignorando os conselho de sua pai, o criador. Ícaro voou alto sem pensar nos perigos da queda, a sensação de liberdade apagou a dor fatal.

O castigo de Ícaro é o mesmo para todos os mortais, que não obedecem os limites dos sonhos, usando sua consciência e livre arbitrio. Livre, Dédalo pagou um alto preço da procura de sua liberdade de sonhar e criar.

Os sonhos alimentam a alma; é a ausência de limites e realidade, que alimentam os fracassos.

Ou seja, enquanto voamos respeitando nossos limites pessoais de habilidade, equipamento e condições meteorológicas voaremos o resto de nossas vidas com uma boa e considerável margem de segurança e diminuição dos riscos de um esporte de ação, do contrário poderemos entender as dores de Dédalo e Ícaro na pele.

Conheça o trágico mito completo de Dédalo e Ícaro. 

Dédalo e Ícaro: Limite Para Sonhar

Em Atenas, Dédalo era um artesão e engenheiro famoso. Todos conheciam a sua arte e ele tinha fama em toda Grécia. Os mais poderosos reis queriam adquirir as suas esculturas ou viver nos majestosos palácios e edifícios que ele construia.

Com tantas encomendas, Dédalo já não conseguia atender a todos os pedidos e para aliviar a grande sobrecarga, o artista decidiu ter um aprendiz em sua oficina, seu sobrinho Talo.

Dédalo ensinou ao jovem todo os segredos das artes da cerâmica, da arquitetura e da escultura. Aos poucos, Talo mostrou-se um excelente aprendiz e um genial artista e com sua criatividade inventou o torno de oleiro. Dédalo sentiu uma profunda inveja por não ter sido ele o criador do invento. A cada dia, Talo inventava algo. Certa vez, ao ver os dentes pontiagudos de uma serpente, ele teve a inspiração para inventar o serrote. Passado algum tempo, Talo inventou o compasso e outros inventos para a produção de armas, tijolos e vestimentas dos atenienses.

Quanto mais Talo mostrava a sua criatividade, mais Dédalo o invejava e Talo começou a adquirir muita fama em Atenas conquistando os antigos admiradores e clientes de Dédalo, que aos poucos foi perdendo a genialidade criativa e sua inveja tirava sua inspiração.

Os trabalhos de Talo passaram a ser preferidos e Dédalo por se sentir ofendido decidiu eliminar o sobrinho. Dissimulando suas intenções convidou Talo para um passeio ao templo de Atenas que ficava no alto de um penhasco. Caminhando inocentemente com o tio, quando passavam pelas muralhas do templo em um gesto premeditado Dédalo empurrou Talo ao precipício. Ao encontrar a morte, o rosto de Talo apresentava um sorriso nos lábios.

Depois de matar o sobrinho, Dédalo recolheu o corpo de Talo, enfiou em um saco e tentou apagar os vestígios de seu crime. Porém, quando retornava para sua oficina, foi surpreendido carregando um saco sujo de sangue. Nervoso, o arquiteto disse ser de uma serpente que matara, mas o nervosismo do arquiteto fez com que as pessoas desconfiassem daquela versão. Dédalo continou o seu caminho, sem perceber que os curiosos sorrateiramente seguiam seus passos. Em um terreno vazio, Dédalo depositou o cadáver do sobrinho. Do alto do Olimpo, Atenas a Deusa da Sabedoria, o assistia e transformou a alma de Talo numa perdiz.

Denunciado, Dédalo foi conduzido ao cárcere, enquanto a perdiz sobrevoava o tribunal assistindo a justiça feita. Alguns dias após a sua condenação Dédalo conseguiu fugir e foi para Creta onde já tinha chegado a sua fama de artesão, escultor, inventor e engenheiro. Quando Minos, rei de Creta, soube da presença do artista, recebeu-o com honras de Estado e o colocou sob sua proteção, mas exigiu que ele trabalhasse apenas para ele.

Dédalo passou a criar muitas obras e estátuas para Minos, mas perdeu sua liberdade criadora. Suas criações ficaram restritas aos desejos do monarca e sua arte se tornou prisioneira dos caprichos do Rei Minos.

Sempre à deriva dos caprichos reais, a bela rainha Pasíafae, a esposa do rei, tendo se apaixonado por um touro, pediu a Dédalo que criasse uma armadura no formato de uma novilha que lhe permitisse atrair o touro. Dédalo esculpiu uma novilha em madeira e desse amor incomum da rainha e o touro nasceu o MINOTAURO, uma criatura com corpo de homem e cabeça de touro. Para esconder a vergonha da traição da mulher, Minos ordenou que Dédalo construísse uma prisão para o monstro, um lugar de onde ele jamais pudesse sair. Dédalo construiu um labirinto com becos e caminhos sinuosos, como um enigma.

O Labirinto tornou-se a maior obra arquitetônica de todo o Mediterrâneo gerando a admiração dos povos, inquietando a curiosidade de outros reinos. Aprisionado, o Minotauro se revelou uma violenta fera e exigia ser alimentado de carne humana. Minos que havia conquistado o reino de Atenas, exigia do rei Eqeu sete rapazes e sete moças para serem sacrificados. Teseu, o filho de rei de Atenas, revoltado com a maléfica exigência, misturou-se com os jovens que seriam enviados para Creta.

Em Creta, Teseu seduziu a bela princesa Ariadne, filha de Minos. Com sua ajuda, penetrou no Labirinto levando um novelo de lã que foi desenrolado desde a porta de entrada. Teseu vendeu o Minotauro e conseguiu sair do labirinto seguindo as linhas do novelo. A bela Ariadne esperava-o na saída e apaixonada fugiu com Teseu, levando seu irmão como refém.

Perseguidos pelo rei Minos, esquartejaram o filho de Minos, e enquanto o rei recolhia os pedaços do filho no mar, Teseu e Ariadne fugiram.  O rei Minos culpou Dédalo por toda tragédia e como castigo, encerrou Dédalo e seu filho Ícaro dentro do Labirinto, fazendo-os prisioneiros perpétuos.

Dédalo se tornou prisioneiro de sua maior criação e passou a viver com seu sonho de liberdade, até que construiu asas que lhe permitiria fugir voando. Juntando penas de aves, Dédalo construiu seu sonho amarrando as penas e colocando uma camada de cera sobre elas. Terminando seu projeto, Dédalo recomendou a seu filho os cuidados para o voo, e movidos de coragem os dois saltaram para o infinito. Dominando o voo, Dédalo preveniu ao filho que mantivesse uma determinada altura; não tão baixa para não cair no mar e nem tão alta para que não se aproximasse do sol que poderia derreter a cera.

Dédalo e Ícaro alcançam o céu da Grécia, mas Ícaro se deixou deslumbrar pela sensação de liberdade e beleza do céu. Voando alto, os raios quentes do sol derreteram a cera das asas e em meio ao seu delírio sonhador, Ícaro se precipitou no mar. Dédalo pousa para apanhar o cadáver do filho e quando caminhava entre os arbustos para sepultá-lo, uma perdiz parou sobre sua cabeça. Era o espírito de Talo, acentuando a tragédia numa anunciada vingança.

Partindo em um barco pelo mar Dédalo aportou na Sicília. Mesmo sendo recebido com honras pelo rei daquele local, a alma de Dédalo vestia um luto perene e nada estimulava sua alma criadora. Já não sentia nenhuma inveja como um passado e viu perdida sua genialidade. Apesar disso, criava o que lhe instruiam mas ele já não se importava com os aplausos. Tornou-se um protegido do reino, mas um dia Minos aportou na Trinácria à procura de Dédalo. A fim de proteger Dédalo, o rei Cócalo fingiu receber com honras o rei Minos, convidando-o para um banho quente e um banquete. Para repousar da viagem, Minos atendeu o convite, entrando na banheira, sentiu a água morna e fechou os olhos para repousar, mas Cócaro havia premeditado matar Minos, e de repente a água começou a esquentar e fever e apesar dos gritos de Minos, ninguém veio a socorrê-lo. O Soberano de Creta morreu sufocado pelos vapores e pelo calor, deixando Dédalo livre, porém já não tinha mais sentido a sua sonhada liberdade.

Dédalo seguiu solitário ensinando sua arte a muitos e muitos aprendiz e discípulos, e já muito velho quando viu a morte chegar realizou seu maior sonhos vendo sua alma sem asas voar.

Referências:Virtuália o Manifesto Digital - http://virtualiaomanifesto.blogspot.com.br/2010/04/dedalo-e-icaro-o-sonho-humano-de-voar.html Blog Mitologias Gregas - http://mitologia-grega.info/mos/view/Principais_hist%C3%B3rias_da_mitologia_grega/

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