Vento Norte Paragliders

19.11.2015 | Mulheres e Voo

ATUALIZADO: 04/04/2016
 
Uma modesta homenagem as mulheres voadoras de "ontem" e de hoje!
 
Por que as pessoas se aventuram?
Por que voam?
Que sentidos se camuflam nas ações que emergem de um impulso do imaginário social de esportistas que se lançam em uma nova dimensão, onde poucos humanos transitam?
 
 
Esse foi o tema que despertou a minha curiosidade para a elaboração de uma dissertação de mestrado. E todos podiam indagar: Puxa, mas não é difícil fazer uma tese em educação física aos 25 anos? Não é chato e cansativo dedicar-se a um trabalho acadêmico?
 
Não, foi maravilhoso. Principalmente porque os meus questionamentos foram de encontro ao universo do voo livre. Concentrei o objetivo da pesquisa no campo dos esportes de aventura e riscos praticados na natureza.
 
Enquanto pensava no meu trabalho e admirava esses ousados aventureiros dos ares, percebi que não só eles o faziam, mas também haviam mulheres voadoras que transitavam pelos céus com suas asas e parapente.
 
E como imaginar que, durante séculos, o corpo feminino estava relacionado à fragilidade, à sensibilidade, à maternidade, e que hoje as mulheres estão conquistando até as alturas?
 
Essas aventureiras rompem com os padrões socialmente determinados para a figura feminina e deslizam com seus corpos lá pertinho das nuvens ao sabor do vento. Impulsionadas pelo quê?
 
Somente para praticar um esporte?
 
Não. Voar envolve uma subjetividade diferente de qualquer outra prática esportiva, e, conforme eu conversava com as voadoras e analisava seus discursos, me sentia envolvida, voando por uma linguagem única, onde cada palavra estava repleta de paixão de sonhos, de superação. É como se buscassem o tempo todo uma liberdade só encontrada nos ares.
 
Aqui em baixo é o universo do cotidiano, das obrigações de mãe, dona-de-casa, esposa, profissional. No espaço terrestre encontra-se a rotina, mas parece que voando as mulheres sente-se vivenciando um imaginário de origem liberto, onde o ser humano encontra-se em sua plenitude com a natureza. Mas para viver essa experiência; é preciso ter coragem, superar medo e romper com as amarras socialmente construídas.
 
O medo pode ser positivo quando o indivíduo passa a compreender o próprio limite. E por não serem suicidas e desempenharem a tarefa de procriação da espécie humana, as mulheres aventureiras precisam respeitar, aguçar sua atenção.
 
Ser aventureira e se lançar em voos pelos céus não implica em ultrapassar seus limites e desvalorizar as margens de segurança.
 
Voar e estar, em liberdade, transitando por uma dimensão invisível onde afloram-se sentidos sinceros e a sensibilidade parece ficar mais aguçada, como se todo o corpo se tornasse pequeno diante do universo e dialeticamente imenso, repleto de poder. Lá no espaço aero as voadoras tornam-se mais ricas e fortes para enfrentarem os grandes desafios da vida.
 
O espaço onde realiza-se esta grande aventura pareceu apresentar-se com um sentido mágico sagrado, como se a natureza exprimisse algo que a transcendesse e essas mulheres se afastassem provisoriamente do espaço profano do cotidiano e mergulhassem numa dimensão sagrada, onde poucos seres humanos chegam.
 
Por meio do voo livre essas mulheres romperam com seus medos e escaparam brevemente das normas terrestres para vivenciar o sonho de voar e materializar a experiência que envolve uma subjetividade de liberdade. Voando, as mulheres parecem libertar-se da sua condição feminina da terra.
 
Encontram força interior por meio de uma aventura lúdica. Nos ares, elas apaixonam–se e tornam-se verdadeiramente livres. Parecem vivenciar o limite qualitativo da beleza plena de ser mulher.
 
Ah, e a dissertação de mestrado? Aprovada. Com louvor.
 
Texto de autoria de Luciana S. Abdalad para a Revista Air ano I - 02
Em Mulheres & Voo Livre - O universo feminino nos esportes de aventura e risco
 
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