Vento Norte Paragliders

12.11.2015 | Para Refletir

fascinante
 
Nosso esporte é mesmo sensacional! Envolve nuanças que quem  não o pratica jamais ousaria, sequer, sonhar. E é tão novo, não? Tudo nele ainda habita o campo do obscuro e do imponderável. Além de um esporte é também um estilo de vida, um hobbie, uma ciência e, para muitos, uma profissão.
 
E o que tem de mais interessante nele é a possibilidade de evoluir, de se aprimorar. Fazer o melhor voo, não aquele que supere os outros, mas que supere a si próprio, bater seus recordes pessoais, empregar uma tática recém aprendida que demonstra, na prática, ser correta. A recompensa é imediata: uma enroscada* redonda numa termal* cuja intensidade jamais havia sido experimentada. Um voo sobre uma rota nunca explorada. A permanência por um tempo nunca antes alcançado. Uma distância percorrida que não fora antes atingida. Uma altura inédita conquistada com glória e espanto.
 
Voa-se atrás de prazeres. Alguns preferem a velocidade, enquanto outros a permanência. Uns gostam de sacudidas, enquanto outros gostam da inércia. Uns gostam de provocar suas velas enquanto outros preferem acalmá-las. Uns gostam de ir rumo ao desconhecido, outros de ficar onde já desvendaram os mistérios. 
 
Os motivos pelos quais voamos também são os mais variados, mas resumem nossos sonhos pessoais. Voa-se para escapar da crueldade que habita a terra. Para vê-la de uma perspectiva privilegiada. Para ter o que contar aos amigos. Para impressionar as mulheres. Para se conhecer melhor. Para viver em bando. Para disputar. Para vencer. Para acompanhar. Para compartilhar. Para crescer. E por aí vai...
 
Voo é como carteira de identidade! Pessoal e intransferível. Cabe a cada um de nós nos encontrarmos no meio desta imensidão de possibilidades e respeitar a escolha alheia de como voar, obviamente observando-se as normas de segurança. Quem quiser voar de Quantum* com selete deitada e microlinhas, que o faça, desde que consciente das implicações. Quem quiser voar de protótipo de competição com airbag e cruzilhão, que o faça.
 
Alguém já fez uma analogia entre voar e andar de carro, que me parece perfeita. Quem tem um carro esportivo sabe que vai ter problemas com buracos e estradas de terra, mas no asfalto lisinho de uma highway... Não se pilota uma Kombi pensando em média horária, do mesmo modo que ninguém senta no cockpit de um bólido pensando em conforto ou transporte de cargas. Voar é a mesma coisa. Escolha o equipamento que mais se adapta ao seu estilo. Voe-o com a configuração mais apropriada para a categoria. Mas procure evoluir sempre. Busque a perfeição, a tranquilidade. Mude o que estiver te incomodando, mesmo que tenha que voltar atrás. Eleja seus ídolos e os tenha como referência. Não os imite incontinentemente, mas os acompanhe e avalie seus progressos e novidades. Seja crítico ao optar por uma inovação. Como alguém já disse: Quem não sabe o que procura não entende o que encontra.
 
No mais, como ensina e assina o Sivuca? Tucha a mão e segura!
 
Texto de Lucas Machado
 
As fotos abaixo são registros fotográficos de Lucas Machado.
 
Sobre Lucas Machado: Médico. Voou de asa de novembro de 1987 a fevereiro de 1995 e voa de parapente desde março de 1993. Fundador do Clube de Voo Serra da Moeda. Campeão Mineiro de Asa Delta em 1989. 
 
Glossário:
Enroscar: Ato de manter-se numa zona de ascendência térmica, normalmente fazendo círculos a medida que se ganha altura.
Termal/ Térmica: Coluna de ar quente ascendente. 
Quantum: Um dos parapente de iniciante do período em que foi redigido o texto.
Protótipo: Equipamentos de competição que exigem pilotagem ativa e muita experiência.
Cruzilhão: Sistema antigo de estabilização do balanço da selete (cadeira), não utilizado nos equipamentos atuais e modernos.
 
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